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Home » Poesias Tera-Feira, 25 de Junho de 2019







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A Cruz da Estrada
por: Castro Alves

Tu que passas, descobre-te!
Ali dorme o Forte que morreu.
Alexandre Herculano (trad.)

Caminheiro que passas pela estrada,
Seguindo pelo rumo do serto,
Quando vires a cruz abandonada,
Deixa-a em paz dormir na solido.

Que vale o ramo do alecrim cheiroso
Que lhe atiras nos braos ao passar?
Vais espantar o bando bulioso
Das borboletas, que l vo pausar.

 de um escravo humilde sepultura,
Foi-lhe a vida o velar de insnia atroz.
Deixa-o dormir no leito de verdura,
Que o Senhor dentre as selvas lhe comps.

No precisa de ti. O gaturamo
Geme, por ele,  tarde, no serto.
E a juriti, do taquaral no ramo,
Povoa, soluando, a solido.

Dentre os braos da cruz, a parasita,
Num abrao de flores se prendeu.
Chora orvalhos a grama, que palpita;
Lhe acende o vaga-lume o facho seu.

Quando,  noite, o silncio habita as matas,
A sepultura fala a ss com Deus.
Prende-se a voz na boca das cascatas,
E as asas de ouro aos astros l nos cus.

Caminheiro! do escravo desgraado
o sono agora mesmo comeou!
No lhe toques no leito de noivado,
H pouco a liberdade o despousou.

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Recife, 22 de junho de 1865