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Home » Poesias Segunda-Feira, 26 de Junho de 2017







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O Martelo
por: Manuel Bandeira

As rodas rangem na curva dos trilhos
Inexoravelmente.
Mas eu salvei do meu naufrágio
Os elementos mais cotidianos.
O meu quarto resume o passado em todas as casas que habitei.

Dentro da noite
No cerne duro da cidade
Me sinto protegido.
Do jardim do convento
Vem o pio da coruja.
Doce como um arrulho de pomba.
Sei que amanh quando acordar
Ouvirei o martelo do ferreiro
Bater corajoso o seu cântico de certezas.